A interação da criança com o saber

Tem_espiritos_embaixo_da_camaPor: Sônia  Kasse

Aprender  faz parte da vida do ser humano. Desde que nascemos estabelecemos relações recíprocas e contínuas com o meio ambiente e gradativamente  evoluímos e nos tornamos mais independentes.

A criança, ávida por conhecimentos, inicia a fase de muitos questionamentos e quer saber o porquê de tudo. Nada passa despercebido nessa fase da vida e para todas as perguntas quer obter as respostas.

Aquelas crianças cujas vozes são ouvidas extrapolam na aquisição de conceitos e aceleram a sua aprendizagem. Infelizmente, as que não podem questionar, ou mesmo aquelas cujas vozes não têm eco, fecham-se em si mesmas e, muitas vezes, paralisam seu processo de crescimento sendo erroneamente rotuladas de “crianças que não aprendem”.

Toda criança é capaz de aprender e para isso é preciso que lhe seja oferecido um ambiente adequado, sempre com a intervenção de um adulto educador que, numa relação interligada, ajuda-a a construir o seu conhecimento.

É preciso dar-lhe liberdade de expressão para que, sem medos ou receios, possa manifestar-se, expor suas dúvidas e na interação com o outro buscar soluções que melhor se adequem aos seus questionamentos.

O livro Tem espíritos embaixo da cama?, de Tatiana Benites, dá continuidade aos ensinamentos da doutrina espírita numa versão clara, espontânea e muito divertida.

Por meio da personagem Laurinha (criança muito interessada, inteligente e questionadora), os temas em discussão vão sendo lançados e os conceitos aprendidos.

A leveza e a graça da leitura estão nas confusões que a personagem faz ao escutar um novo conceito nas aulas de educação espírita no centro espírita em que frequenta  com seus pais.

Como toda criança pesquisadora, Laurinha só se acomoda quando consegue solucionar suas dúvidas e assimilar o que aprendeu.

Ela é a personificação de muitas de nossas crianças que conseguem aprender justamente indagando, dando ideias, propondo soluções e demonstrando ao adulto que, se forem libertas para desenvolverem suas capacidades, conseguem interagir com novos conceitos de maneira satisfatória.

Educar divertindo é o tema dessa obra recomendada a todos.

Boa leitura!

Sônia  Kasse é  educadora aposentada do Ensino Fundamental.

Texto publicado no Jornal Correio Fraterno edição 459 – Setembro/Outubro de 2014

De olhos fechados e mão na cabeça

Algumas crianças conversavam, quando Pedro perguntou:6_deolhos_fechados_mao_nacabeca

– Mas o que é passe?

– Eu não sei, só sei que tem que fechar o olho quando senta na cadeira – respondeu Laurinha.

– Por quê? – indagou Cristina.

– Sei lá, quando a gente entra na sala, a mulher fala para fechar o olho.

– Eu já fiquei de olho aberto – disse Ana.

E os outros perguntaram juntos:

– E aí?

– O que acontece? – interroga Pedro curioso.

– Nada! Tem um monte de gente na sala; uns sentados e outros em pé. As pessoas que estão em pé ficam na frente de quem está sentado. Continuar lendo

Mediunidade longe do dinheiro

As crianças se reuniram na casa de Laurinha para fazer trabalho de escola.

– Na semana passada, meu primo sonhou que acontecia um acidente com o meu tio. Ele acordou super assustado e contou para minha tia. E ontem meu tio bateu o carro e agora está no hospital – comentou Romeu, puxando assunto com a turma.

7_mediunidade_longe_do_dinheiro– Isso é sonho com premonição, não é?

– Acho que é sim – respondeu Laurinha.

– Minha irmã conhece uma mulher que faz premonições com baralho – emendou Lílian.

– Ah! Isso não é premonição, ela vê no baralho o que vai acontecer – disse Romeu, demonstrando esperteza.

– E quem disse que baralho sabe o que vai acontecer com a gente? – se espantou Lílian.

– É mentira! Não é o baralho que conta nada, é a mulher que tem vidência – explicou Laurinha.

– Como assim?

– Ela consegue ver as informações no perispírito da pessoa. Tudo o que ela fala está gravado em nós mesmos. Por isso ela acerta as coisas.

– Humm… Verdade!!! Ela acertou que a minha irmã era casada, tinha um filho e que pretendia comprar uma casa – disse Lílian pensativa.

– É porque sua irmã já tem essas informações com ela!

– Poxa! Não sabia disso! – suspirou Romeu espantado. – Quanto que essa mulher cobra pra ver a sorte?

– Ela cobra??? – Laurinha perguntou com um grito.

– Acho que cobra uns cem reais.

– Coitada!…

– Por que coitada? Deve ganhar uma grana preta – completou Romeu, saltando os olhos.

– Coitada, porque não se deve cobrar pra trabalhar com a mediunidade. Mais tarde ela vai se cobrar ou ser cobrada por isso!!!

Romeu ficou pensando e falou:

– Vixe! Já pensou se ela já tiver gasto todo o dinheiro quando chegar do outro lado? Vai ter que lavar os pratos do refeitório espiritual para pagar as dívidas!