Mediunidade longe do dinheiro

As crianças se reuniram na casa de Laurinha para fazer trabalho de escola.

– Na semana passada, meu primo sonhou que acontecia um acidente com o meu tio. Ele acordou super assustado e contou para minha tia. E ontem meu tio bateu o carro e agora está no hospital – comentou Romeu, puxando assunto com a turma.

7_mediunidade_longe_do_dinheiro– Isso é sonho com premonição, não é?

– Acho que é sim – respondeu Laurinha.

– Minha irmã conhece uma mulher que faz premonições com baralho – emendou Lílian.

– Ah! Isso não é premonição, ela vê no baralho o que vai acontecer – disse Romeu, demonstrando esperteza.

– E quem disse que baralho sabe o que vai acontecer com a gente? – se espantou Lílian.

– É mentira! Não é o baralho que conta nada, é a mulher que tem vidência – explicou Laurinha.

– Como assim?

– Ela consegue ver as informações no perispírito da pessoa. Tudo o que ela fala está gravado em nós mesmos. Por isso ela acerta as coisas.

– Humm… Verdade!!! Ela acertou que a minha irmã era casada, tinha um filho e que pretendia comprar uma casa – disse Lílian pensativa.

– É porque sua irmã já tem essas informações com ela!

– Poxa! Não sabia disso! – suspirou Romeu espantado. – Quanto que essa mulher cobra pra ver a sorte?

– Ela cobra??? – Laurinha perguntou com um grito.

– Acho que cobra uns cem reais.

– Coitada!…

– Por que coitada? Deve ganhar uma grana preta – completou Romeu, saltando os olhos.

– Coitada, porque não se deve cobrar pra trabalhar com a mediunidade. Mais tarde ela vai se cobrar ou ser cobrada por isso!!!

Romeu ficou pensando e falou:

– Vixe! Já pensou se ela já tiver gasto todo o dinheiro quando chegar do outro lado? Vai ter que lavar os pratos do refeitório espiritual para pagar as dívidas!

    Tem espíritos no banheiro?

    A aula havia acabado e todos os alunos saíam da sala. Quando a professora estava se retirando da sala, viu que Laurinha continuava pensativa, sentada na cadeira.

    – Vamos, Laurinha! A aula já terminou. Você não vai se levantar?

    Correio_447 finalLaurinha, meio sem jeito, disse:

    – Eu sei que o sinal já bateu, mas vou continuar pensando um pouco.

    – Mas o que aconteceu para você ficar pensando?

    – Eu estou aprendendo muita coisa ao mesmo tempo e acho que tenho que organizar as minhas ideias, porque as coisas estão começando a ficar confusas.

    A professora olhou para Laurinha num tom preocupado e pensou: “O que será que está acontecendo de tão grave para uma menina de 7 anos ficar tão pensativa?”.

    – Eu posso te ajudar em alguma coisa? O que te aflige?

    – Muitas coisas, muitas coisas … – respondeu colocando a cabeça entre as mãos.

    – Mas minha garotinha, você é muito nova para ficar assim tão preocupada! Continue reading

      As batidas na carteira

      4_batidas_na_carteiraAs crianças foram passar as férias no sítio da vovó.

      Vovó sempre disposta a encantar as crianças com suas histórias, reúne todos os netos na sala, munidos de muita pipoca e suco. Antes de começar a contar a história, Pedrinho pergunta:

      – Vovó, conte histórias de espíritos!

      Sabendo do receio de Aninha sobre o assunto, vovó então aproveitou e disse:

      – Vou contar a história de duas menininhas que descobriram a existência dos espíritos…

      Era uma vez Margareth e Caterine, que se mudaram com seus pais para uma cidade nos Estados Unidos, chamada Hydesville.

      Na nova casa, elas passaram a ouvir barulhos de batidas e arranhaduras à noite. Um dia, os sons aumentaram e, apesar do medo, Caterine resolveu desafiar o mistério. A menina batia palmas e a resposta vinha com batidas na parede.

      – Ah! Vovó, era o vizinho! – falou Aninha com um ar aliviado.

      – Não, Aninha. Não havia mais ninguém por lá. Assim, os adultos resolveram investigar a história das meninas e viram que eles estavam se comunicando com espíritos através de palmas e pancadas. As pessoas faziam perguntas e eles respondiam com batidas formando letras do alfabeto.

      – Devia demorar para formar uma frase, então – disse Pedrinho.

      – Demorava muito, porque cada número de batida era uma letra! Foi assim que as pessoas começaram a acreditar em espíritos.

      Pedrinho pensou, pensou e resolveu fazer a pergunta:

      – Vovó, bem que em vez do Paulo ficar batendo na minha carteira para pedir cola na prova de matemática, um espírito podia me ajudar, dando as batidas dos resultados! Ao menos eu só ia contar as pancadas e colocar o número, porque letra é mais complicado de entender!

      Antes que vovó ficasse brava, Pedrinho disse:

      – Calma, vovó, para prova de português eu arrumo outro método!

        Meu pai ou meu irmão?

        As crianças conversavam animadamente, quando Felipe falou:3_meupai_ou_meuirmao

         

        – Na minha casa tem um quadro com a foto de Deus.

        – Foto de Deus? Como ele é? – disse Guilherme.

        – Normal.

        – Normal como? – indagou Estela.

        – Normal é normal.

        – Mas Deus é energia, não tem forma! – expôs Lucas.

        – Tem sim. Ele tem cabelo comprido, barba e usa um vestidão branco comprido – explicou Felipe. Continue reading

          Você ajuda uma entidade?

          Laurinha chega em casa e fala aos pais que precisa fazer um trabalho para a aula da evangelização. Diz que necessita fazer uma pesquisa.

          Como sairiam para uma festa em poucos minutos, seu pai lhe sugere:
          – Você poderia fazer esta pesquisa depois?

          Laurinha pensou, pensou e disse:
          – Então eu vou fazer a pesquisa na festa.

          Pegou suas anotações elaurinha-entidade um lápis, colocou no bolso e saiu. Chegando lá, foi perguntando às pessoas:
          – Você ajuda alguma entidade?
          – Sim, respondeu o sr. Adalberto.
          – Sim, disse dona Estela.
          – Sim, disse João.

          Laurinha somente anotou. No caminho de volta para casa seu pai perguntou:
          – Você fez sua pesquisa, filha?
          – Fiz.
          – E o que descobriu?
          – Descobri que tem um monte de gente que tem religião diferente, mas que ajuda entidades. Continue reading

            Pelespírito

            pelespritoLaurinha chega do centro espírita muito empolgada com o que aprendeu lá. A professora mostrou que, além do nosso corpo físico, temos também o corpo espiritual, e pediu que fizessem uma pesquisa para a semana seguinte. Laurinha já voltou pensando no que poderia fazer.
            – Mãe, hoje nós aprendemos lá no centro que temos vários corpos, sabia?
            – E como é isso, filha?
            – É como se a gente fosse uma coisa com várias camadas, ué!
            – Ah, entendi. Mas, Laurinha, não é bem assim.Laurinha foi para o quarto e começou a pensar em como poderia mostrar isso para os colegas na próxima aula. Escreveu em um papel e colou em uma camiseta. E foi mostrar a sua mãe.
            – Mãe, já sei como vou fazer o trabalho!
            – Como? – indagou ela.
            Laurinha estava com a camiseta com a palavra colada na frente.
            É assim:
            – Pessoal, nosso corpo tem carne, pele, pelespírito e espírito. Eu estou com essa camiseta porque vocês estão vendo, além do meu corpo, essa minha pelespírito, que é mais fina e é a roupa do meu espírito.
            – Laurinha dá uma pausa e continua – Agora podem bater palmas…. Eeeeeee – e ela mesma bate palmas.
            – Entendeu, mãe?
            – Entendi e achei muito interessante, mas você falou pelespírito em vez de perispírito, que é o correto.
            – Ah, mãe, vamos combinar que quem errou foi quem inventou essa palavra, né? É muuuuuito mais fácil pensar que é a pele. Pele + espírito é igual a pelespírito.
            – É, Laurinha, mas quando estamos encarnados os dois estão ligados: corpo espiritual e
            corpo físico. O perispírito, portanto, não é uma camada do corpo físico. E peri quer dizer em volta, ao redor. Peri + espírito = ao redor do espírito.
            – Tá bom, mãe, entendi. Posso então agora brincar com a Aninha de correr peri o jardim???