Os aventureiros do coração

Laurinha chegou em casa com mais dois amigos do centro espírita e pediu a sua mãe:

– Mãe, podemos usar as tintas para fazer um trabalho?

– Pode, filha, é só pegar no armário – respondeu sua mãe.

Laurinha foi até o armário e pegou as tintas, pincéis e um copinho com água.

Quando chegou no quarto, contou para Guilherme e Ana a ideia sobre o trabalho e todos se empolgaram. Ela pegou uma camiseta branca, e nela começaram a pintar um grande coração e escreveram na frente: Aventureiros.

Querendo saber como andava o trabalho, a mãe de Laurinha entrou no quarto.

– Crianças, o que vocês estão fazendo?

– Pintando, tia – respondeu Ana.

– O que vocês estão pintando?

– Um coração na camiseta da Laurinha e agora estamos convencendo o Guilherme a fazer as faixas para colocar na cabeça e no braço para parecer mais aventura – explicou Ana.

– Hummm…. – a mãe de Laurinha fitou o trabalho das crianças falou:

– Quero ver como vai ficar, quando estiver pronto.

Ela saiu do quarto pensativa. Sabia que não adiantaria falar nada sobre estragar a camiseta, afinal já era bem velha e eles estavam aprendendo e se divertindo com o trabalho. Depois de alguns minutos, as crianças apareceram na sala com a camiseta pintada, faixas vermelhas na testa e nos braços.

– Então, crianças, me expliquem isso tudo!

Elas ficaram em posição de luta e falaram:

– Somos os Aventureiros do coração!

– E o que isso quer dizer?

– Ah, mãe, está na cara! Tínhamos que fazer um trabalho sobre o tema “bem-aventureiros os de coração puro”.

– Puros de coração! – falaram os amigos em coro.

– É isso aí! Daí resolvemos fazer um grupo de aventuras, tipo ninja, mãe.

– Está muito legal, porque bem-aventurado significa ser feliz e vocês estão mesmo bem felizes assim.

– Eu sabia que o “bem-aventureiros do coração” já dava pra entender que era do pequenino, puro do coração, do céu, do reino, tudo isso aí de felicidade! – falou a Laurinha, se atrapalhando toda. Os dois amigos se entreolharam e falaram:

– Nossa, você confundiu tudo!

– Ah, mas minha mãe entendeu direitinho. Né, mãe? – falou piscando.

O e-mail do meu mentor

Laurinha estava fazendo pesquisas no computador para sua aula de educação espírita, do centro. Percebeu que existe uma infinidade de sites com muita informação sobre o que precisava. No entanto começou a pensar em outras facilidades.

“A tecnologia está tão avançada agora. Bem que a gente podia ter mais facilidade para saber melhor das coisas. Mesmo com tanta informação não conseguimos saber o que podemos fazer amanhã para melhorar o mundo.”

Foi quando se dirigiu até a sala refletindo:

– Pai, eu estava pensando… Seria tão legal se o plano espiritual fosse informatizado, não é?

O pai de Laurinha, que estava assistindo ao jornal, virou-se para a filha e disse:

– Como é? De onde você tirou essa idéia?

– Eu estava pesquisando umas coisas para minha aula na internet, mas seria bem mais legal perguntar tudo direto ao meu mentor. Se ele tivesse e-mail seria bem mais fácil. Será que lá não tem tecnologia?

– Ai, minha filha, a tecnologia de lá deve ser bem mais avançada.

– Se é mais avançada, eles devem ter e-mail.

– Não, filha, não foi isso que eu quis dizer – e foi logo interrompido.

– Como será que eu faço para descobrir o e-mail do meu mentor? Porque eu acho bem mais fácil escrever para ele do que ficar esperando a intuição. Acho que meu mentor não gosta muito disso. Eu não consigo me conectar com ele!

– Laurinha – falou seu pai sério –  o plano espiritual tem mais o que fazer do que ficar se preocupando em como vai falar com você. Uma coisa é certa: a intuição é uma forma muito mias complexa de comunicação do que qualquer comunicação aqui na Terra.

– Olha, pai, pode até ser, mas pra mim é bem mais fácil pelo computador. Acho melhor a gente fazer uma campanha nos centros espíritas assim: “Comunique-se com seu mentor pelo computador. Mande seu e-mail pra ele!” Já que eles estão sempre ligados a nós, a resposta é instantânea. Eu gostei da idéia!

– Filha, as coisas não são assim.

Laurinha começou a resmungar e fazer planos para a campanha. Então seu pai resolveu a inquiriu:

– Por acaso, você já perguntou para os mentores se eles querem ter um e-mail?

– Não!

– Então, filha, quando somente uma parte quer, as coisas não acontecem, para dar certo os dois têm que querer.

– Tá bom!

Inconformada, a menina foi para o quarto, olhou para o computador e mentalizou o diálogo:

“Meu mentor, já que você está sempre perto de mim e está me ouvindo, que tal nos comunicarmos pelo e-mail? Bem, na verdade, já que tudo aí é mais sofisticado,  bem que você poderia fazer um site ‘MENTOR DA LAURINHA’, com uma senha só minha, podia também fazer um WhatsApp. Assim a gente pode bater um papo nas suas horas vagas e já que você é o MEU mentor e é chique, bem que podia fazer um Facebook e um Instagram, colocar umas fotos da sua casa, pra eu saber melhor como é tudo isso aí. Fala aí que você não gostou da ideia?”

Humildade e o dinheiro

Laurinha pergunta a seu pai:

– Pai, por que a gente trabalha tanto quando cresce?

– Para ganhar dinheiro para comprar as coisas em casa, para poder comer e pagar as contas…

– Você gosta de trabalhar?

– Eu gosto, porque eu faço o que me deixa feliz.

– E por que tem gente que só reclama de trabalhar?

– Talvez porque não trabalhe com o que goste.

– Uai, mas por que é que continua, se não gosta?

– Às vezes é porque não arrumou coisa melhor.

– Eu não consigo entender. A gente tem que estudar tanto para se preparar para uma profissão, pra depois chegar lá na frente e correr o risco de não gostar.

– Laurinha, mas a vida traz muitas chances de a gente experimentar e ver do que gosta! E de também se desafiar e correr atrás do que quer.

– É a gente que escolhe onde quer trabalhar?

– Muitas vezes procuramos o lugar, nos cadastramos, conversamos. Depois a empresa decide se somos a pessoa que procuram para aquela função.

– Não entendo por que temos que trabalhar tanto, se aprendemos que temos que ser humildes.

– O que está te incomodando, filha?

– Estava fazendo as contas e terei que estudar ainda mais dez anos para trabalhar em algum lugar. E se eu não gostar do trabalho, vou achar muita maldade.

– É só saber do que gosta de fazer, trabalhar com amor e isso lhe trará alegria e satisfação.

– Pensando bem, acho que ser adulto dá trabalho.

– Sim, mas é também muito prazeroso, Laurinha. Olhar para trás e ver o que já aprendemos, o quanto construímos na vida, é muito gratificante. Você vai saber melhor quando crescer.

– Pai, mas humildade não significa viver com menos dinheiro?

– Não, filha. Ser humilde é sentir-se igual aos outros, nem melhor nem pior, e também reconhecer em si o que precisa ser melhorado.

– Posso ser humilde e rica?

– Sim, claro!

A mãe de Laurinha, que só ouvia a conversa, diz:

– Mas para ganhar dinheiro e ficar rica é preciso estudar. Vamos, Laurinha! Você tem trabalhos e lição para fazer!

Laurinha resmunga:

– Poxa, mãe, estamos falando de humildade!

– Eu também… Reconhecer o que precisa melhorar!!!!

– Mãe, eu falei HUMILDADE e não Ô, MALDADE!!.

Laurinha se levanta e vê que precisa mesmo é fazer o dever.

O trabalho e uma lei da Natureza, por isso mesmo se constitui uma necessidade. O progresso é filho do trabalho, porque ele coloca em movimento as forças da inteligência.